Durante posse, Pazuello vai na contramão da OMS: “não fique em casa”

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O general Eduardo Pazuello tomou posse nesta quarta-feira (16/9) como ministro da Saúde, depois de quatro meses como interino. Ele está no posto desde junho, apesar de ter assumido a informalmente em maio, após a saída de Nelson Teich. Sua confirmação à frente da pasta sinaliza continuidade das ações adotadas nos últimos meses.

“Literalmente, tivemos que trocar a roda do carro andando”, disse Pazuello em discurso. “Tivemos liberdade total para implementar as medidas que eram necessárias.” Seguindo a linha do presidente Bolsonaro, ele criticou o isolamento social. “Nós vimos que não era o melhor remédio, o ficar em casa esperando falta de ar”, disse. “O tratamento precoce salva vidas, por isso temos falado dia após dia: não fique em casa”, afirmou.

A cartilha do presidente Jair Bolsonaro, que entrou em embate com os dois ministros da Saúde antecessores, recomenda o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, apesar da ausência de confirmação científica acerca da sua eficácia.

Segundo Pazuello, no centro-sul do país a tendência de retomada é “muito clara” e será possível voltar à normalidade em breve. Ele defendeu que se deve conviver com a covid-19 com “naturalidade”, a exemplo do que ocorre com outras enfermidades cotidianas.

Pazuello elogiou o trabalho do corpo técnico da pasta e o Sistema Único de Saúde (SUS). “Montamos um time que trabalhou muito bem, aguentando a pressão nos momentos decisivos. Juntos, reestruturamos o ministério, adequamos protocolos e combatemos não só a covid, mas também as demais doenças que afligem o nosso povo”, complementou. “O receio de que o SUS entraria em colapso não existe mais. Isso não aconteceu e não vai acontecer”.

Em comunicado à imprensa, a pasta destacou que até o momento foram destinados R$ 83,9 bilhões para os estados e o Distrito Federal, sendo que R$ 25,7 bilhões foram distribuídos exclusivamente para ações no combate à covid-19.

Interinidade

A gestão interina de Pazuello foi marcada pelo aumento de militares nomeados para cargos na Saúde. Além disso, já sob sua gestão, em 20 de maio foi divulgado um protocolo com novos critérios para uso da cloroquina no tratamento da covid-19. As novas recomendações permitem o uso de cloroquina ou hidróxido de cloroquina já nos primeiros dias após a manifestação de sintomas. As normas anteriores liberavam a droga apenas para os casos mais graves da doença.

A mudança atendia a uma recomendação pessoal do presidente Bolsonaro, que é um dos propagadores do medicamento, apesar da ausência de eficácia comprovada no tratamento da covid-19. Bolsonaro, familiares e ministros do governo que contraíram o novo coronavírus afirmaram ter feito uso do medicamento.

Também houve mudanças na forma de divulgação dos dados de mortes e contaminados por covid-19, o que suscitou diversas críticas e acusações de falta de transparência.

Em junho, a pasta anunciou acordo de cooperação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade de Oxford e AstraZeneca para o desenvolvimento tecnológico e acesso do Brasil à vacina para covid-19.

Currículo

General de divisão, Pazuello formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), mesma instituição do presidente Bolsonaro. Ele atuou na coordenação das tropas do Exército nos Jogos Olímpicos de 2016 e coordenou a Operação Acolhida, que recebe e direciona refugiados da Venezuela que chegam no Brasil pela fronteira de Roraima.

Ele chegou ao ministério em abril, inicialmente como secretário-executivo. Antes, comandava a 12ª Região Militar, em Manaus, no Amazonas. General da ativa, a decisão de efetivá-lo reacende a discussão sobre sua ida à reserva, visto que o cargo, de indicação política, gera desconforto nas Forças Armadas, instituição de Estado.

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