Empresário afirma ter repassado apenas ‘memes’, e não fake news, na campanha de Bolsonaro

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No período da campanha eleitoral para presidente, Paulo Marinho alugou parte de sua casa para a equipe de comunicação de Bolsonaro – Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Tido como um dos principais apoiadores da candidatura de Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018, o empresário Paulo Marinho descartou ter exercido participação decisiva na campanha à presidência. Ele depôs nesta terça-feira (10/12) à CPI mista que investiga notícias falsas e assédio virtual nas redes sociais (CPMI das Fake News).

Marinho resumiu seu papel na campanha como o de um locador de dois cômodos em sua residência situada no Jardim Botânico, área nobre do Rio de Janeiro, para o curto período de campanha eleitoral em rádio e TV.

Como simpatizante da campanha de Bolsonaro, Paulo Marinho disse ter alugado os cômodos em nome de sua mulher, Adriana, ao PSL por R$ 8 mil.

O espaço foi utilizado, de acordo com o empresário carioca, por uma equipe de comunicação que ali realizou a campanha virtual do PSL e os programas de Rádio e TV do então candidato a presidente.

Em seu depoimento, Paulo Marinho afirmou que não espalhava notícias falsas e que esse boato sobre ele está relacionado a uma entrevista à repórter Andréia Sadi na Globonews.

“Quando ela me pergunta sobre fake news, digo que a gente recebia e repassava. O que eu quis dizer ali é que chegavam memes durante a campanha e, quando eram essas coisas que tinham graça, eu repassava para a minha rede de Whatsapp, que tem 15 pessoas”, disse.

Linchamento virtual

O empresário hoje preside o diretório do PSDB no Rio de Janeiro e afirmou estar incumbido de promover um candidato do partido à prefeitura da cidade. Por isso, disse sofrer intensa campanha de linchamento virtual nas redes sociais, que o chamam de “traidor” por ter deixado o PSL e se afastado dos Bolsonaro.

Queiroz

Paulo Marinho disse ainda não manter contato com o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), de quem é suplente no Senado. E afirmou que, em todas as visitas que Flávio fazia ao “QG” de comunicação eleitoral do pai, estava acompanhado de Fabricio Queiroz, a quem chamou de “motorista ou segurança” do senador.

De acordo com a relatora da CPI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), o depoimento de Paulo Marinho contribuiu para os trabalhos do colegiado em dois aspectos. Uma delas foi justamente a afirmação de que o Queiroz esteve nessa casa mais de uma vez, e de que ele era acompanhante permanente do senador Flávio Bolsonaro.

“Essa é uma questão paralela da investigação da CPMI, mas que se transformou em um episódio de investigação da política brasileira e que foi importante de ser reafirmado. A outra questão esclarecida é a relação da casa do senhor Paulo Marinho com a campanha. Ele fez questão de um contrato e, na minha opinião, um contrato muito generoso. Entendi que o senhor fez a um preço módico por ser um apoiador e que consta na conta do partido”, disse a relatora.

“Proporções indevidas”

Atuando pela liderança do PSL, a deputada Caroline de Toni (PSL-SC) afirmou que a CPMI tomou proporções indevidas. Como exemplo, citou o depoimento da semana anterior, da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).  Caroline de Toni afirmou que as provas apresentadas pela deputada nada evidenciam. Segundo ela, o método de mensuração “borrow meder” que leva em conta padrões e comportamentos, e foi citado por Joice, oferece apenas a probabilidade de uma conta ser robô.

Em resposta, a relatora Lídice da Mata afirmou que o depoimento da deputada Joice foi de fundamental contribuição para os objetivos da CPMI e que há um grupo de parlamentares da base governista que busca desqualificar os trabalhos da comissão.

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