Governadores do Nordeste pedem apuração de conduta de Moro

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Governadores do Nordeste têm várias restrições à reforma da Previdência/Reprodução

Peça-chave nas negociações da reforma da Previdência, os governadores do Nordeste também decidiram se posicionar em relação à divulgação de mensagens atribuídas ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e a procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Em carta intitulada de “Abusos devem ser investigados”, os governadores afirmaram que o caso é de muita gravidade, pois, para eles, “conduzir processos jurídicos desrespeitando deliberadamente a lei” também é uma forma de corrupção.

“Reivindicamos a pronta e ágil apuração de tudo, com independência e transparência. É preciso também avaliar o afastamento dos envolvidos”, defenderam os governadores, que também apoiaram a “revisão ou anulação de todo e qualquer julgamento realizado fora da legalidade”. Eles ainda manifestaram confiança de que magistrados e membros do Ministério Público “podem apoiar as necessárias investigações nesse caso”.

“É inadmissível uma atuação que se denuncia  ilegal entre membros do Ministério Público e do Judiciário, combinando previamente passos de uma importante investigação, com o intuito de perseguir e prender pessoas”, argumentaram os governadores, acrescentando que “as conversas anormais configuram um flagrante desrespeito às leis, como se os fins justificassem os meios. Não se trata de pequenos erros; são vidas de seres humanos e suas histórias que se revelam alteradas em julgamentos fora das regras constitucionais, legais e éticas”.

Na carta, os governadores ainda reforçaram o apoio ao combate à corrupção. Veja a íntegra do texto, publicado nesse domingo (30/6):

“ABUSOS DEVEM SER INVESTIGADOS

As seguidas revelações de conversas e acordos informais entre membros do Judiciário e do Ministério Público, em Curitiba, divulgadas pelo theintercept.com e outros veículos de comunicação, são de muita gravidade. As conversas anormais configuram um flagrante desrespeito às leis, como se os fins justificassem os meios.

Não se trata de pequenos erros; são vidas de seres humanos e suas histórias que se revelam alteradas em julgamentos fora das regras constitucionais, legais e éticas. Todos sabem que um juiz deve ser imparcial e por isso não pode se juntar com uma das partes para prejudicar a outra parte. Acreditamos que a defesa da real imparcialidade dos juízes é um tema de alto interesse inclusive para eles próprios. Assim, manifestamos nossa confiança de que a imensa maioria dos magistrados e membros do Ministério Público que, com seriedade e respeito à lei fazem o verdadeiro combate à corrupção e outros crimes, podem apoiar as necessárias investigações nesse caso.

Agora, um dos trechos das conversas divulgadas destacam o Procurador Deltan Dallagnol sugerindo busca e apreensão na residência do hoje senador pela Bahia Jaques Wagner. E a justificativa do coordenador da Lava Jato? “Questão simbólica”, ou seja, ao lixo o direito. É mais uma revelação de extrema gravidade.

É inadmissível uma atuação que se denuncia  ilegal entre membros do Ministério Público e do Judiciário, combinando previamente passos de uma importante investigação, com o intuito de perseguir e prender pessoas. Em discurso recente, na Cúpula Pan-Americana de Juízes, o Papa Francisco já demonstrou a sua preocupação com atos abusivos e de perseguição por meio de processos judiciais sem base legítima.

Reivindicamos a pronta e ágil apuração de tudo, com independência e transparência. É preciso também avaliar o afastamento dos envolvidos. Defendemos, ainda, a revisão ou anulação de todo e qualquer julgamento realizado fora da legalidade.

Outrossim, sublinhamos a relevância de o Congresso Nacional concluir a votação do Projeto de Lei sobre Abuso de Autoridade.

Apoiamos firmemente o combate à corrupção, porém consideramos que também é uma forma de corrupção conduzir processos jurídicos desrespeitando deliberadamente a lei.

Governadores do Nordeste do Brasil”.

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