Irmã Dulce será canonizada neste domingo, 13/10, no Vaticano

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Imagem da canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II, presidida pelo Papa Francisco, em 2014 — Foto: Divulgação/Vatican News

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmão Dulce, será canonizada pelo Papa Francisco neste domingo (13/10), em uma grande cerimônia na Praça de São Pedro, no Vaticano. Essas missas abertas, em que a Igreja Católica reconhece novos santos, ocorrem todos os anos e seguem um ritual solene bem típico.

Basicamente, é uma missa como aquela celebrada em todas as igrejas no domingo, mas com uma parte a mais: o chamado “rito de canonização”. Esse “pedaço” diferente da missa costuma ser feito logo no começo da celebração.

Veja abaixo mais detalhes sobre o significado e as etapas da cerimônia.

Princípio geral da canonização

A ideia é que, nessa celebração, os novos santos sejam simbolicamente apresentados ao Papa e que ele reconheça essas pessoas como santos.

Por suas virtudes e bons exemplos, a Igreja entende que essas pessoas “estão no céu”, ou seja, mais “perto de Deus”, e podem “interceder” pelos que ainda estão na Terra. Por isso, os católicos rezam para um santo, pedem ajuda e milagres. Além disso, a Igreja permite que essas pessoas sejam consideradas “modelos” de vida e, portanto, podem ser admiradas com devoção.

Essa tradição existe desde os primeiros cristãos, que consideravam santos principalmente os mártires.

No início, os santos eram reconhecidos principalmente por aclamação popular. No primeiro milênio, eram os bispos locais que declaravam a santidade da pessoa. Eles simplesmente “assinavam embaixo” e reconheciam essa boa fama.

Com o tempo, percebeu-se que era preciso mais rigor na análise, com testemunhos e estudos. E foi no século 12 que as decisões se concentraram nas mãos do Papa. Mais tarde, criaram-se escritórios no Vaticano só para analisar as propostas de canonização.

Hoje, quem faz isso é a Congregação para a Causa dos Santos. Esse escritório estuda a vida dos “candidatos” e os apresenta ao Papa, que, por sua vez, os reconhece. A missa de canonização resume todo esse processo em um único rito.

Madre Tereza de Calcutá quando visitou Salvador, no final da década de 70, ao lado de Irmã Dulce — Foto: Divulgação/Obras Sociais Irmã Dulce

Conforme explica o Arcebispo de São Salvador da Bahia, Dom Murilo Krieger, depois que a vida dos santos é estudada e os milagres por sua intercessão são constatados, “eles estão em condições de serem declarados santos”.

“O Papa vai declarar que eles são santos e autoriza o culto a eles. É normal que, nesse momento, os presentes, à medida em que o nome do santo que os levou a Roma for citado, aclamarão a notícia com grande entusiasmo.” – Dom Murilo Krieger, Arcebispo de São Salvador

A cerimônia em dez pontos:

A missa começa com o canto inicial e, logo depois, o Papa abre a celebração. Em seguida, há um canto de “invocação do Espírito Santo”. A ideia é pedir a Deus que o ajude a tomar uma decisão acertada.

O cardeal prefeito da Congregação para a Causa dos Santos – hoje o italiano Dom Angelo Becciu – “apresenta” ao Papa os novos santos. Ele lê uma pequena biografia de cada um. Desta vez, com a Irmã Dulce, serão canonizados também o teólogo e cardeal John Henry Newmann, um dos principais intelectuais cristãos do século 19; outras duas religiosas, Giuseppina Vannini e Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e uma catequista, chamada Margherita Bays.

Depois vem uma “ladainha”, que é um canto longo, no qual a Igreja invoca a intercessão de todos os outros santos. Os nomes de muitos santos são mencionados nessa ladainha. Mais uma vez, a ideia é pedir que todos eles ajudem o Papa a tomar a decisão mais certa.

Finalmente vem a “fórmula da canonização”. Depois que o Papa lê esse texto em latim, eles já são considerados Santos.

Esta é a fórmula que pode ser usada: “Em honra da Santíssima Trindade, pela exaltação da fé católica e para incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de refletir por muito tempo, ter invocado a ajuda divina e ouvido a opinião de muitos Irmãos no Episcopado [bispos], declaramos e definimos Santos os beatos [aqui entram os nomes dos novos santos] e os inscrevemos no registro dos santos, estabelecendo que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Em seguida, há um canto de comemoração para celebrar a canonização e agradecer a Deus.

O cardeal prefeito agradece ao Papa pela decisão e pede que ele redija uma “carta apostólica”, documento que formaliza a canonização.

A partir desse ponto, a missa continua normalmente, como uma missa comum de domingo: com leituras da Bíblia, a pregação do Papa (ou “homilia”), consagração do pão e do vinho, e a comunhão.

É comum, no Vaticano, que logo após a missa o Papa reze a tradicional oração do Ângelus, ou oração do meio-dia. É uma oração a Maria, mãe de Jesus, que ele reza todos os domingos na Praça de São Pedro. Nesse momento, ele pode comentar alguma situação política ou humanitária do mundo.

Imagens dos novos santos ficam expostas na Praça de São Pedro desde o início da missa – diferentemente da “beatificação”, quando a imagem ou foto oficial é revelada só durante a missa. Os beatos são pessoas de boa reputação que podem ser honradas localmente, mas ainda não por toda a Igreja. Com a canonização, eles passam a ser chamados “santos” e celebrados no mundo inteiro.

Histórico

26.mai.1914 – Nasce Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, em Salvador

1933 – Ingressa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe, recebe o hábito e adota, em homenagem à mãe, o nome de Irmã Dulce

1949 – Em Salvador, após autorização da superiora, ocupa um galinheiro ao lado do convento para atender doentes

1959 –  Instalada no local a Associação Obras Sociais Irmã Dulce

13.mar.1992 – Irmã Dulce morre em Salvador

OS MILAGRES

Da beatificação

Após dar à luz seu segundo filho, Gabriel, em 11 de janeiro de 2001, Claudia Cristina dos Santos sofreu uma forte hemorragia, durante 18 horas. O médico diz à família que apenas “uma ajuda divina” poderia salvá-la. Chamado ao local, o padre José Almí faz corrente de oração pedindo a intercessão de Irmã Dulce e deu a Cláudia uma pequena relíquia da freira. A hemorragia cessou subitamente

Da canonização

Aos 22 anos, o músico José Maurício Moreira teve um diagnóstico de glaucoma descoberto tardiamente. Mesmo com tratamento por dez anos, na virada do ano de 1999 para 2000, ele ficou totalmente cego de ambos os olhos. Em 2014, Maurício teve conjuntivite que causou fortes dores. Ele pegou uma imagem de Irmã Dulce a colocou sobre os olhos e fez uma oração pedindo para cessarem as dores. Ao acordar, Maurício percebeu então que tinha voltado a enxergar.

País terá 37 santos

Com a canonização de irmã Dulce, o Brasil terá 37 santos, entre nascidos no país ou com atuação aqui. A italiana madre Paulina, o brasileiro frei Galvão e o padre espanhol José de Anchieta fazem parte dessa lista.

Além dos santos, o Brasil soma cerca de 5 dezenas de beatos – um “degrau” abaixo da santificação. O padre Donizetti, que ficou famoso no interior de São Paulo em meados do século passado, com fama de “milagreiro”, deverá ser beatificado em novembro, em Tambaú (255 km de SP).

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